segunda-feira, novembro 24

Os Sábios Ensinam - Passos desritimados...


Noite sem Lua... Lua sem noite...



Céu de estrelas repletas de saudade
Saudade do tempo que não nos esquece
Esquecimento da vida que nos fere
Ferimento da existência sem sentido
Sentimento em ter a dor como companheira
Companheira de luta, de morte, de perda
Perda de todos meus sonhos
Sonhos perdidos por toda noite


Noite sem lua...
Lua sem noite...


Cansaço de ser apenas um alguém
Alguém que luta, que chora, que mente
Mente e desmente para se manter contente
Contente por ainda poder sorrir
Sorrir da vida que lhe maltrata
Maltrata e fere, humilha, brinca e desfaz
Desfaz promessas e destrói castelos
Castelos de areia que se fundem com o mar
Mar dos tempos esquecidos e obscuros
Obscuros e perdidos por toda noite


Noite sem lua...
Lua sem noite...


E sua vida se constrói
Constrói com os laços imperfeitos da solidão
Solidão que mata, que fere, que rasga
Rasga cada esperança de paixão
Paixão perdida na doce ilusão
Ilusão dos sonhos, do mundo, da vida
Vida sem rumo, na cabeceira do acaso
Acaso e descaso perdidos por toda noite


Noite sem lua...
Lua sem noite...


Frases escassas de sentimentos
Sentimentos dispersos por entre muitos
Muitos que deliram por entre tantos
Tantos que sonham, que choram, que rezam
Rezam por um final feliz
Feliz e sem danos para os que lamentam
Lamentam e sonham e sonham e sonham
Sonham e tem desejos perdidos por toda noite


Noite sem lua...
Lua sem noite.

domingo, novembro 23

Os Sábios Ensinam - Gotas de felicidade!


Chuva



Lá do alto da janela de um "Cofee Shop" eu a vi correndo
Ela era mulher mas naquele dia corria igual menina
Ia atrás de cada gota que caía daquele céu cinzento
Como se fosse a melhor das sensações da sua vida


O céu estava transformado naquela manhã chuvosa
Transbordava água do céu como em uma cachoeira
Cada pingo fazia um barulho único tocando na areia
Aos poucos o som era transformado em uma sinfonia


O barulho que se formou ofuscou qualquer outro som
Mas trazia uma tranquilidade e uma sensação de paz
Que se eu fechasse meus olhos seria capaz de dormir
E poderia sonhar com aquela cena que estava vendo


Era a visão da mulher que corria sem qualquer medo
Parecia uma dança de uma pessoa em pleno transe
Que era protegida por alguma forma mágica de prazer
Que conseguiu se unir com a chuva como um agrado


Em alguns momentos ela suavemente abria os braços
Olhava para cima e sentia todos os pingos em sua face
Parecia que o tempo parava enquanto ela se banhava
Era um retrato quase perfeito que via naquele instante


Calmamente a chuva ia delineando seu corpo coberto
Era uma roupa única que se ajustava as suas curvas
Onde cada gota transcorria parte de sua sensualidade
Deixando a mostra aquela que eu começava a desejar


Não sei quanto tempo fiquei parado somente observando
Mas lembro os gestos que ela desenhou enquanto chovia
Fui enfeitiçado por seu jeito de dançar e por sua harmonia
Naquele dia fui tomado pela mulher que sabia fazer chover


Quando a chuva passou ela caminhou devagar para longe
Aquele corpo de forma simétrica foi se distanciando de mim
Depois de algum tempo só conseguia enxergar o horizonte
E hoje quando chove volto a janela esperando que ela volte.

quinta-feira, novembro 13

Os Sábios Ensinam - Desejos Incontroláveis



Minha Verdadeira Indecência



Não quero choro e não quero reza
Pois trago em peito uma dor maior
Do que minha indecisão do passado


Hoje não quero prece e não quero cura
Quero o sentido exato que você vincula
Quando tem o corpo e despreza a mente


À noite não quero apenas a cama prudente
Necessito mais do que carinhos inocentes
Eu desejo a arte do afago árduo e indecente


Preciso ganhar cada segundo que você possui
Para que meu corpo seja capaz de sobreviver
Preciso das horas e das semanas para lhe ter


Por isso não venha com promessas irreais
Nem com os seus falsos cognatos desta vez
Quero mais do que palavras quero lhe possuir


Não vejo a verdade nas atitudes convenientes
Nem escuto as palavras que sempre desejei
Mas a intensidade de sua presença me supera


O conto de fadas nunca foi minha idéia com você
Não preciso que as aparências sejam mantidas
Prefiro que o desejo seja saciado como antes


Então não vamos sonhar com a ilusão perdida
Mas vamos ter a visão do calor que me atrai
Do corpo que cobiço e das curvas que alucinam


Estou cansado do jogo de palavras e de rimas
Não quero mais jogar com a mesma rotina
Quero algo novo que surpreenda e me prenda


O amor que eu via foi tornado paixão de arredia
E agora sei onde posso começar e onde terminar
Com você só há um jeito que se pode sobreviver


É ter na carne a presença da minha cama
No corpo o sentimento do desejo recente
E em você a minha verdadeira indecência.

Os Sábios Ensinam - O questionário da vida...


A dúvida que é duvidada


Escorrego sobre a acentuada curvatura da dúvida,
num movimento compacto e interminável.
O caminho que percorro,
caracteriza-se por um tempo incerto e pela incessante fricção do corpo,
consequente ao contacto com o passado e com o presente.

Não deslizo como quando era pequeno e me deixava resvalar nos escorregas de várias alturas; este escorregar provoca-me dor.
Na tentativa de encontrar a localização deste sofrimento,
fecho-me em mim como se de uma concha tratasse,
na ideia de que "a solução está em mim" ... embora em vão.

Eu sei que sem o exterior não sou ninguém;
eu sei que os meus pensamentos estão embebidos no exterior;
eu sei que os meus sentimentos estão mergulhados no exterior; eu sei.

Esforço-me para ser racionalmente emotivo ou emocionalmente racional. Será que me esforço? Nesta conjuntura e, decidida a pensar pensamentos,
começo a imaginar as próprias sinapses a estruturarem-se de tal forma que parecem constituir um emaranhado de pontos de interrogação, que me fazem exclamar: o que pensar?

Num movimento ulterior e, já aberta ao exterior, poderia então exclamar: o que dizer?
Lamentavelmente não vislumbro nenhum elemento que me ajude a fantasiar o futuro. Se encontrasse esse referencial dentro ou fora de mim, poderia repensar o presente que seria já passado e revitalizaria-me, com um elixir onde seria predominante uma maior segurança para voltar a sentir, fosse o que fosse.
Disto sim, estou certo que tenho a certeza.