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segunda-feira, setembro 1

Os Sábios Ensinam - Livre Arbítrio



Livre Arbítrio


O Diabo encontrou Deus e disse:
_Faz muito tempo mesmo não é, meu insólito irmão?
_Tempo demais para que eu pudesse esquecer. Disse Deus sem expressões.
_Eu, pelo menos, não me lembro da última conversa que tivemos. Talvez, para variar, não tenha sido tão importante. Disse o Diabo num tom irônico.
_Porém mais relevante essa nossa conversa anterior, do que decidir o destino da terra dos humanos. Disse Deus.
_Tudo é mais interessante do que isso. Retrucou o Diabo.
_Tudo mesmo. Disse Deus... Até mesmo tentar criar algum sentimento para mim.
_Até uma noite na taverna. Disse o Diabo com um olhar introspectivo.
_Mas existem aqueles que valem a pena. Disse Deus. Alguns eu até não manipulo.
_Por quê, se toda a graça disso tudo é a manipulação? Perguntou o Diabo.
_É que as vezes, mas não tão só às vezes, alguns se tornam tão singulares que não vale a pena sujá-los com nossos dedos imundos.
_Você quer dizer que eles nascem sem saber de nada? Perguntou o Diabo intrigado.
_E muitos morrem ignorantes disso. Respondeu Deus. Tudo que acontece é fruto de nossa própria vontade.
_ Exemplo?!
_Temos um homem qualquer casado com uma mulher qualquer. Ele vai amá-la sempre; mesmo se masturbando nos fins de tarde pensando naquela vizinha e na companheira de trabalho.
_Até então não fizemos nada com ele. Disse o Diabo.
_Acho que sim e não. Disse Deus pensativo.
_Como assim? Pergunta o Diabo intrigado.
_Não podemos ter certeza que se nós não interferirmos nele, ele não faria as mesmas coisas. Disse Deus com um ar de dúvida.
_Porém se fosse comigo eu comeria a vizinha e não contaria a minha mulher! Disse o Diabo em um tom irônico.
_Pois é, é isso o que muitos incluindo você fariam, mas não é o que ele faz. Disse Deus.
_E se você fizesse com que ele mudasse de conduta? Perguntou o Diabo.
_Aí daria tudo errado, pois ele não sabe agir assim, mesmo sendo da maneira mais agradável. Disse Deus.
_Comendo a mulher, a vizinha, a safada da secretária e uma priminha ninfeta, isso seria agradável. Disse o Diabo cainda na gargalhada compulsória com Deus.
_Pra mim sería razoável. Disse Deus.
Os dois riram um pouco mais, porém pararam de rir e fitaram o chão com um olhar de Deja vu. Até que o Diabo disse:
_Livre arbítrio...
_É... livre arbítrio. Disse Deus.

terça-feira, abril 15

Os Sábios Ensinam - Medo! Defeito ou Virtude?


O que é o Medo?


O medo é uma interrupção súbita do processo de racionalização. A primeira coisa que nos acontece quando sentimos medo é uma interrupção súbita do processo de racionalização, perdemos a capacidade de racionalizar uma situação qualquer. Mas será que é necessário manter a racionalização quando não sabemos o que está acontecendo? Geralmente, quando acontece algo, geramos um preconceito, pensamos, muitas vezes sem saber exatamente o que está acontecendo, e geramos uma espécie de fantasia mental. Normalmente, essa fantasia traz conseqüências, muitas graves. Se estamos numa situação de perigo, acontece algo e não sabemos o que é, é melhor não pensar.

É muito claro observar em uma situação de perigo como as pessoas fazem coisas que são justamente aquelas que não deveriam ser feitas. Por quê? Porque pensam sem saber o que está acontecendo.


"Nesta imagem vemos um pobre rato tentando escapar da fúria implacável de seu predador, por ser um animal irracional e seguindo seus instintos e lógica primitiva sua primeira reação é fugir já que sabe que não será capaz de fazer nada contra a raposa, no mundo animal a siução muitas das vezes pode ser bem sistemática mas essa questão não se aplica muito bem a nós seres humanos!"

Se alguém vai de carro, entra numa curva com excesso de velocidade e pensa, a primeira coisa que vai fazer é frear. Se frear vai justamente causar a desgraça de si próprio, pois é aí que reside o perigo: brecar em uma curva estando em alta velocidade.

O medo, em princípio, tem a capacidade de evitar que façamos algo mentalmente. Ele cria uma situação de impasse e pára qualquer processo mental.

O medo como sensação é uma parada súbita de todos os processos de motivação, ou seja, além de interromper os processos de racionalização, o medo cria uma parada súbita da motivação. Quando sentimos o impacto do medo, é como se alguma coisa caísse, ficamos sem fôlego, sem motivação para fazer coisas. Esse é o segundo fenômeno que o medo produz e também, se observarmos, é uma interrupção súbita. Também quando acontecem coisas, a tendência é criar ou uma depressão traumática ou uma euforia. Há pessoas que ante situações comuns reagem com euforia, há outras que se entregam totalmente; são processos relacionados com a motivação do indivíduo e em qualquer situação de risco ou de perigo, tanto a euforia quanto a depressão traumática são negativas.

O que causa problema em situações de risco ou de perigo é a temeridade ou a entrega. É curioso observar como, quando as pessoas estão inconscientes do medo, querem fugir dele e acabam fazendo exatamente o contrário do que deveriam fazer.

Essas atitudes destoam completamente do chamado “instinto de sobrevivência”, e isso não é pelo medo, e sim porque as pessoas querem fugir dele. O desejo que temos quando acontece um fenômeno desse tipo é que alguém nos pegue no colo e que não sintamos mais nada. Nessas situações, as pessoas querem fugir e, por isso, acabam fazendo tolices.

Em contrapartida, as pessoas que assumem o medo, mas o assumem conscientemente, acabam fazendo as coisas certas. As maiores causas de acidentes e de mortes é o comportamento que temos perante o medo, e não ele em si.

O terceiro ponto dessa relação é a definição do que é o medo: o medo-percepção + medo-sensação são uma inibição-bloqueio de todas as funções fisiológicas, ou seja, quando o medo surge, ele pára os processos de racionalização, pára os processos de motivação, os processos fisiológicos e nós ficamos sem condições de fazer nada por um instante, nem pensar, nem sentir, nem agir.

Agora eu pergunto: se estamos caminhando de noite por um caminho e, de repente, o caminho termina abruptamente, existe uma depressão de 50 metros e, sem sabermos, vamos chegando ao precipício e sentimos medo, o que fazer? Parar. O medo paralisa, inibe. Então a primeira coisa que vamos fazer é nos determos antes de cair no precipício. Esse é o medo, nem mais nem menos. Em princípio isso é bom, essa parada súbita é boa porque no fundo o que está acontecendo é um sinal de que há um risco e até não sabermos o que é isso, é melhor ficarmos quietos.

Desse ponto de vista, o medo é uma força que tem como objetivo evitar perigos de qualquer natureza e funciona como um sinal que interrompe qualquer ação imprudente. Em termos concretos e objetivos, o medo é isso e não tem nada a ver com as reações acontecidas ante ele, que, no nosso caso, por razões culturais, não são naturais.

Nossa cultura não só não nos preparou para enfrentar o medo, mas também nos ensinou a ter medo dele, e, por isso, reagimos mal. Por um processo cultural diferente, nós encararíamos o medo de uma forma diferente e teríamos reações naturais. Essas reações naturais trabalham a favor do instinto de sobrevivência, tanto do corpo quanto da mente, como também da psiquê humana. Por exemplo, se eu estou encostado na parede e alguém grita na minha frente, por medo eu vou dar com a cabeça contra a parede. Foi o medo que gerou isso ou a minha reação anti-natural? Quando alguém grita e eu faço isso, essa não foi uma reação natural; foi a reação anti-natural, por quê? Há reações instantâneas que chamamos de reflexos condicionados e consideramos que são naturais. Mas vejam bem que a palavra diz: reflexo condicionado, ou seja, se foi condicionado, não é natural. O natural ante o medo e o próprio corpo é ter nossas reações independentemente dos nossos preconceitos, é observar a situação detidamente para saber o que está acontecendo, e não querer fugir dela. Isso não é natural, mas é uma reação prevista em nossa cultura.

Os reflexos naturais e próprios do corpo são completamente diferentes, eles não nos fazem fugir ante as situações de risco, eles nos levam à adaptação. Vejamos a diferença entre o reflexo condicionado e o reflexo descondicionado: o reflexo condicionado é: se A aplica uma força x, B tem que aplicar uma força y. Quando quebramos esse reflexo, a situação muda: A passa a fazer mais força do que antes, pois B está relaxado. Isso é o reflexo natural do corpo.

Nós estamos mal acostumados. Nós fomos educados numa cultura que não nos ensina a lidar com o medo, e sim a temê-lo, mas isso tem um objetivo. Por exemplo, quando a criança não quer comer e a mãe diz: “se você não comer, o bicho-papão vai te pegar”. Quando a criança entra nesse condicionamento, come até qualquer coisa, contanto que o bicho-papão não lhe apareça. E o que é isso? Isso é manipulação. Então, o medo é utilizado como elemento de manipulação para subjugar, escravizar e dominar as pessoas. Mas não é porque o medo seja isso, e sim porque pessoas exploram pessoas e têm utilizado o medo como mecanismo para isso. O fato é que nós acabamos tendo “medo do medo” e, então, para não sentirmos medo, pagamos qualquer preço. Esse é o ponto mais complexo em relação ao medo. Dessa forma, o medo não é ruim, ruim é a reação que geramos ante ele, porque não temos sido educados de forma correta para encará-lo.

Percepções

Segundo o dicionário Aurélio, medo é um "sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário, de uma ameaça". Bem descrito, mas essa definição não fornece pistas sobre o que fazer com o medo. Vamos ver algumas percepções mais práticas.

Antes de mais nada, o que faz com que uma pessoa consiga sentir medo? Suponha que você está aí tranqüilo ou tranqüila, olha para o lado e vê um leão olhando para você cheio de dentes e babando. Você sentirá medo, certo? Mas medo de quê? Certamente de ser devorado e de morrer, uma projeção de futuro, próximo, mas futuro, já que ainda não aconteceu. Agora considere uma pessoa que tenha medo de altura; em certas situações, ela sente medo de cair. No meu caso, quando comecei a dar aulas, em geral sentia aquela inquietação definida pelo Aurélio, enquanto estava caminhando para a sala. Certamente ficava pensando em várias coisas que poderiam dar errado! Mas creio que senti mais medo quando estava descalço diante de quatro metros de brasas, sobre as quais deveria caminhar!

Em todos os casos, trata-se de projeções de acontecimentos futuros. Isto é, a pessoa está imaginando algo que pode acontecer, como morrer, queimar-se e todas aquelas coisas que não queremos que aconteça.


"A timidez em alto nível ou em sua simples concepção também é um exemplo de medo, a pessoa imagina somente as coisas que podem dar errado em uma aboradagem a outra pessoa ou se o que for dito pode ser mal interpretado ou até mesmo não entendido o que gera um tipo de bloqueio."



Como pode o medo ser um aliado para o sucesso? Para entender isto, vamos lembrar que somos movidos às direções que temos instaladas na nossa mente. Quer você se mexa para beber água ou ir a um restaurante, tem uma direção ou objetivo: saciar a sede no primeiro caso, alimentar-se e sentir prazer no segundo.

Mas não temos só objetivos, podemos ter também o que chamo de direções negativas: não matar seres humanos, não puxar o rabo do cachorro, não desligar o computador sem desligar o Windows, não pular de mais de dois metros de altura. Esse tipo de direção é também importante para nos guiarmos pela vida e, mais relevante, todos temos a capacidade de lidar mentalmente com esse tipo de estrutura.

Vez por outra, acontece de estarmos em uma situação com elementos novos, que precisam ser avaliados. Por exemplo, se estou em um primeiro passeio de ultraleve, posso não confiar muito na engenhoca, e penso: e se isto cair? Caindo ela, eu caio junto. E o que faço então? Se estou começando a dar aulas, há efetivamente alguma possibilidade de que eu esqueça algo, ou que não faça da melhor maneira, afinal é a primeira vez.

Outro exemplo: se vou trocar a lâmpada da geladeira e não consigo tirá-la, posso pensar em usar um alicate. Mas minha projeção indica a possibilidade de quebrar a lâmpada e os cacos se espalharem pela geladeira, e então posso ficar com "medo de usar o alicate".

Portanto, pensar em coisas indesejadas faz parte do processo normal da avaliação que fazemos do ambiente, em particular quando é novo ou tem elementos novos. As direções negativas nos indicam o que não deve ser feito, o que não conduz aos objetivos ou conduz a conseqüências e efeitos colaterais indesejados. São como um sinal de trânsito que diz "Não vá por aqui".

O medo então é nosso aliado, no sentido de que nos informa de que existe a possibilidade de que pode ser melhor não fazer fazer algo. Imagine alguém sem medo, o que pode fazer!

O medo será um problema apenas quando:

- Ficarmos prestando atenção ao que não queremos que aconteça e apenas reagindo a isto, ou seja, paralisados e sem opção de ação. - A nossa projeção de conseqüências estiver distorcida da realidade. Esse é o caso de ficar com medo de um avião a jato cair se perder uma das turbinas, já que ele consegue voar sem ela.

O piloto Marcos Pontes, futuro astronauta brasileiro na NASA, perguntado sobre se sentia medo ao voar, disse que não era bem uma questão de medo, e sim de prever os riscos possíveis e ter alternativas para lidar com cada um. Esta atitude, no contexto empresarial, é chamada Gerenciamento de Riscos: identificam-se os riscos e, para os principais, estabelece-se medidas para prevenção e para correção. Imagine se os construtores do túnel ferroviário sob o Canal da Mancha não tivessem feito gerenciamento de riscos; não teriam certamente construído o segundo túnel, só para socorro (e que já foi usado). Este é o próprio "poder do pensamento negativo"!

Portanto, o medo por si só não constitui um problema. Ele pode ser uma indicação de que temos que nos preparar melhor para fazer algo. Ele pode ser uma indicação de que devemos buscar outra alternativa. Principalmente, o medo é uma força, tem energia, e nós podemos usar essa energia como impulso para algo que queiramos. Usando uma estratégia adequada, podemos fazer como no judô: se vamos usar a energia do adversário, quanto mais energia ele tiver, melhor para nós!

Canalizando a energia do medo
Uma vez tendo boas percepções a respeito do medo, precisamos aplicá-las, colocá-las em prática. Uma estratégia estruturada que pode ser usada para aproveitar o impulso e a energia do medo é:

1) Conscientização - tudo começa quando você detecta algo que pode ser bem descrito pela palavra "medo". Você sabe que é um processo da mente (eventualmente com reflexos no corpo), que é mais específico: medo de que alguma coisa aconteça. Ele está em andamento e você se prepara para uma auto-intervenção.

Tenha em mente que muito do que sentimos é originado em coisas que pensamos mas não notamos, isto é, estão inconscientes - reagimos e tomamos decisões influenciados por algo que não sabemos que está lá. A conscientização é o primeiro passo para ter mais opções de lidar com a situação.

Quanto mais rico o "mapa" que você tiver sobre o que está sentindo, mais opções terá. Para isso, tire a atenção dos sintomas corporais e direcione-a para imagens e sons internos, diretamente ou por meio de perguntas: medo de quê? O que pode acontecer de potencialmente ruim? O que estou imaginando? Quais são possíveis decorrências desagradáveis da situação atual? Também pode ser usada como apoio para obter informações a metáfora da "câmera mental". Faça de conta que tem uma e descubra como ela pode ajudar.

2) Interpretação - Neste momento uma avaliação deve ser feita: o medo é um alerta? Procede? A avaliação dirá se é o momento de agir, e em caso positivo, o que é melhor de se fazer. Se o medo for julgado como não procedente, como por exemplo medo de cair do alto de um prédio protegido, você tem a opção de simplesmente ignorá-lo, deixá-lo de lado. No caso dos medos que causam sensações no corpo, como o de altura, uma opção que pode ser usada é a observação das sensações: localização, intensidade, qualidade. Caso você decida canalizar a energia, vai para o próximo passo.

3) Escolha do contexto alvo da energia - Aqui você define para onde quer canalizar o impulso do medo. Deve ser um comportamento executável por você. Por exemplo, se está fazendo um relatório e sente receio ou medo de que seja malvisto, pode imaginar-se relendo o relatório procurando por correções ou possibilidades de melhoria. Outra boa opção é se imaginar como se fosse o chefe lendo o relatório, com seus olhos e seus julgamentos. Veja mais idéias abaixo.

4) Transferência da energia - Neste ponto você tem dois cenários internos, um do medo e outro do objetivo. Para transferir a energia do primeiro para o segundo, você tem várias opções. Como isto é muito pessoal e para cada um pode ser diferente, você deve descobrir o que funciona melhor para você. Seguem algumas sugestões:

- Diminuir a luminosidade de um e aumentar a do outro. - Visualizar a energia saindo de uma imagem e indo para a outra. - Dissociar-se ("sair do filme") de um e associar-se ao outro.
- Fazer um morphing das imagens :(Transformação de uma imagem em outra) Essa eu gosto muito, tem um efeito muito poderoso em mim. Você pode treinar-se em morphings mentais assistindo a vários deles, "ensinando" seu cérebro como é que ele deve fazer.

Se quiser repetir para certificar-se do sucesso, evite fazer o inverso - abra os olhos e recomece.

5) Estabilização - Solte o corpo, e fique quieto por um minuto, permitindo que a mudança se estabilize. Aproveite para usufruir do prazer desse momento de descanso e também do possível prazer que possa estar sentindo pela sua atitude e iniciativa.

Aplicações

Algumas sugestões para aplicação da estratégia descrita:

- Medo do escuro: ações de certificação da existência de perigos, como acender a luz e explorar o local, ou ações de proteção.

- Medo após um filme de terror: ações de observação de imagens internas e de controle delas, como alterar a cor e tamanho.

- Medo de perder o emprego: ações de revisão de produtos, de maior atenção aos objetivos e prioridades, ações de melhoria de relacionamento, ações de aquisição de conhecimento e novas habilidades.

- Medo de dor física: se evitável, descobrir ações que poderiam prevenir a dor; se inevitável (como talvez uma injeção), a saída pode ser estimular uma atitude de extensão dos próprios limites (dores superadas fortalecem), sentir apenas a dor do momento (e não a dor subjetiva resultante da antecipação da dor) ou ainda fortalecer a percepção do momento presente, prestando atenção às sensações físicas do agora (por exemplo, "dor na cabeça" é presente, "dor de cabeça" faz menção à experiências passadas e pode ser pior).

Medo intenso pode causar paralisia ou ter associadas a ele reações condicionadas e sem escolha. Conheci uma pessoa que, dirigindo em situações críticas de trânsito, se alguém gritasse ela pisava no freio, o que pode ser um perigo, como no caso em que estávamos vendo uma carreta a poucos metros em rota de colisão! Para estes casos, pode ser necessário "semear e colher": agir como se estivesse na situação e programar as escolhas previamente, ensaiando mesmo. Esta opção pode ser usada para lidar com qualquer medo antes que ele ocorra; basta imaginar-se na situação.

Base de Conclusões

Temos, então, a primeira conclusão do que é o medo. O medo é uma força natural, não é o meu ou o seu medo, é o medo. O medo existe de forma independente das pessoas, ou seja, há algo em nós e também fora de nós que se chama medo, e que tem uma função na natureza como poderia ter o Sol, a Lua, a Água, a Terra ou qualquer elemento. O medo faz parte da natureza e tem como função proteger, por incrível que possa parecer.

Várias dessas alternativas na verdade são meios que facilitam o início de um trabalho consciente. Posteriormente, quando você já tiver lidado com alguns casos, estes vão gerar um nível mais profundo de habilitação, envolvendo a crença e o domínio da estratégia e de suas variações, o que resultará cada vez mais agilidade, eficácia e naturalidade.

Caso você queira saber, no caso das brasas eu respeitei meu medo e não passei. Já com a estratégia descrita acima, começo a ficar tentado a repetir a experiência... E você? Você tem medo de que? Lembre-se sempre que os medos estão em nossas vidas para serem enfrentados, não podemos deixar que nos controlem, por mais que seja difícil devemos encontrar coragem para realizar nossas tarefas e nossos desejos!

E de agora em diante, fique atento aos seus medos, agradeça a eles e aproveite-os da melhor maneira possível: eles estão aumentando suas chances de sucesso!




quinta-feira, fevereiro 21

Os Sábios Ensinam - Realização Profissional

Nos dias atuais é preciso ter uma profissão, cujos rendimentos satisfaçam as necessidades pessoais de sustento e realização.

Toda atuação profissional deve ser prazerosa, propiciar satisfação interior, deixar o coração preenchido e pleno, o que leva o profissional a dar o seu melhor.

Para isso, a vocação – o desejo da alma - deve ser respeitada e seguida com convicção. Porém, nem sempre isto acontece ou é possível, seja por insegurança, imaturidade, condicionamentos familiares, injunções e dificuldades do mercado de trabalho ou, sobretudo, pela necessidade premente de rendimentos imediatos para a sobrevivência.

É quando acontecem os conflitos interiores, a realidade se impondo à vontade: o indivíduo adota uma profissão conveniente, mas não a que a alma pede, não a da vocação. Passa a atuar de acordo com o momento que vive e não de acordo com sua verdade interior.

Profissional dedicado e responsável – pois não pode perder o emprego – esforça-se para dar o seu melhor. Apesar disso, é constantemente exigido a fazer cada vez mais, a ter o desempenho ampliado. Estuda, busca novos conhecimentos, procura corresponder à solicitação. Rala, como se diz popularmente.

De outro lado, enfrenta diariamente a competição acirrada dos colegas, às vezes até comportamentos agressivos. E para coroar a lista, enfrenta também a manipulação e os métodos de liderança e gerenciamento de seus superiores nem sempre lícitos ou éticos.

Para não perder a colocação, na maior parte das vezes age de acordo com o padrão de expectativa de seus superiores hierárquicos, contrariando seu temperamento e sua criatividade, adotando uma personalidade artificial, adequada às performances exigidas pela sociedade com a qual convive a maior parte de seu dia.

Evita se expor, tal qual é, solapando suas emoções, desejos, capacidades, sonhos... Enfim, esquece sua vontade, seu interior, sua verdade. Cria quase que uma consciência paralela.

É fato que, decorrente disto, a insatisfação e o descontentamento vão se instalando sorrateiramente como um fio d’água, devagar, mas com firmeza, minando entre os pedregulhos...O individuo não tem tempo ou não se permite sentir e analisar-se com calma e objetividade.

E vai aumentando, crescendo, acumulando-se e, como o fio d’água, chega uma hora que precisa se extravasar. É quando vem a tristeza sem motivo, o cansaço, insônia, sendo seguidos pelo stress, o desgosto pela vida, a falta de objetivo, depressão, o vazio no peito, aquele buraco escuro e fundo que não sabe o que é e de onde surgiu... Cansaço, muito cansaço...

O desgaste é muito grande e atinge também o corpo físico: a saúde é afetada, pois o corpo absorve e materializa toda essa energia conturbada, dura e pobre. Formam-se verdadeiros bloqueios energéticos, inflexíveis, firmes, fielmente correspondentes à sua origem. Dor e doença.

O indivíduo se arrasta pela vida, vai seguindo automaticamente.


Exemplo de indivíduo infeliz com sua vida profissional (Impossivel encontrar exemplo melhor xD)


Mas, frente à dor - seja ela do corpo, da alma ou do bolso -, sente que precisa tomar uma atitude: procura apoio e quase sempre o faz buscando-o fora de si, nas forças de outrem ou de outra dimensão, na esperança de conseguir equilíbrio emocional e conforto interior.

Faz terapia, recebe mil e uma orientações, faz cursos, lê tudo o que lhe cai na mão sobre auto-ajuda; vai ao centro espírita, à umbanda; freqüenta cultos evangélicos, faz simpatias; passa por uma infinidade de médicos, entope-se de remédios e anti-depressivos.

Não percebe que a cura está dentro de si mesmo, na própria alma.

A Vida apenas lhe deu tudo o que pediu – mesmo que tenha sido involuntariamente.

O que fazer então? Jogar tudo para o alto? Recomeçar do zero?

Há coragem para bancar atitude tão radical?

É preciso calma, serenidade. Voltar-se para si próprio, para suas verdades... Ir buscá-las sem medo, acariciá-las, permitir-se tê-las. Admirá-las e sentir que elas são o poder que tanto busca... Calmamente... Sem ansiedade ou cobrança.

A realidade continua aí: o dia-a-dia frenético, as relações sociais ou familiares desafiadoras; mas a força está preservada, incentivada, respeitada, energia pura que orienta, ampara e reforça a todo instante.

É o poder universal materializado na vontade de cada indivíduo, na forma de sua verdade. É o Poder Divino manifestado através da valorização da força pessoal de cada um.

A profissão deixa de ser um peso, pois o indivíduo passa a dar valor para o que sente; o dia-a-dia fica mais leve, as emoções valorizadas são tratadas com respeito; respeitando-se, é respeitado pela sociedade. Há uma nova ótica que, por sua vez, leva a uma nova abordagem da mesma rotina profissional; mesmo que não adote a profissão de sua vocação e persista na que escolheu, seja lá por qual motivo, com o poder despertado, encara tudo o que vem pela frente, com harmonia e serenidade, sabendo que o momento pode existir, mas a verdade maior é a que domina em sua vida.

Aceitando suas possibilidades e valorizando suas potencialidades, deixa desabrochar seu poder pessoal; refaz-se a ligação com o seu eu, com o seu desejo, sua vontade, e com isso o reequilíbrio energético. A saúde melhora como por milagre, os caminhos se abrem.

Com o tempo e a prática do poder pessoal, toda verdade interior se manifestará com todo seu esplendor. Desta forma, quem não é feliz? Realizado?

Então, praticar a auto-observação imparcial e reformular conceitos e valores, com humildade e objetividade. Sair da pretensão, da culpa, do perfeccionismo e do medo.

Dar-se oportunidade e tempo para as mudanças interiores, para que a troca de energias seja firme e definitiva. Sem cobranças, mas com decisão. Retraçar caminhos para reencontrar a Vida.

Portanto, é nesta comunhão com o poder pessoal, com o Todo em nós, que está a realização do ser humano. E é através dela que se faz a comunhão com o si mesmo e com um ser maior, a interação divina do criado com o Criador.



Embora muitos de nós não tenhamos escolha do que queremos fazer e que tipo de profissionais queremos ser para nós mesmos e para a sociedade, muitas das vezes vale a pena encontrar a coragem para perguntar a si mesmo se o que você está fazendo realmente o(a) realiza por completo, pois é uma maneira de explorar seu potêncial e também é um desafio a ser conquistado em sua vaida!
Cuide-se!!!

Leonardo Rodrigues

quarta-feira, fevereiro 6

Os Sábios Ensinam - A Arte - Linguagem da Alma


O mundo é grande e cabe
Nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
Na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
No breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade


Quero iniciar esse artigo dizendo que é um privilegio ser um educador por formação.
É um privilégio poder fazer parte de uma classe profissional desvalorizada, jogada ao relento por nossos governantes, mas que ao mesmo tempo, por si só se faz indiscutivelmente importante para o desenvolvimento de uma nação. Digo isso porque ser verdadeiramente educador é um privilégio de poucos. Enquanto educadores, seremos o que quisermos. Também me espanto quando faço uma reflexão sobre o poder que temos em nossas mãos na direção da vida social de cada aluno que passa por nossa sala de aula. Não lhe dá medo? Saber que você é um dos responsáveis pela índole do ser humano que teremos no futuro. Saber que sempre seremos lembrados como aquele professor...aquele, sabe?!

Dentro dessa filosofia, me vem em mente como é importante e proveitosa, a socialização desse ser humano através da “arte” enquanto recurso para a humanização do processo educacional. A união destas duas vertentes, arte e educação, proporcionam a prática verdadeira do que é declarado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no seu artigo 3º, dos princípios e fins da educação nacional, respeitar, valorizar e garantir ao educando uma formação completa de conteúdos práticos em sua existência.


A arte humaniza, e se ela humaniza, precisamos mais do que nunca, da sua utilização no meio educacional e mais ainda na sociedade de modo em geral. Poi
s se temos consciência de que a educação é a base estrutural, juntamente com a família, de uma sociedade plena, também temos consciência de que precisamos a cada dia mais de pessoas comprometidas com essa questão de humanização dos indivíduos. Humanizar no sentido completo e pleno da palavra. Mais do que dar condições aos indivíduos de vivência, de sobrevivência, dar a eles a oportunidade de serem quem realmente são, com toda sua individualidade e peculiaridades.

Temos certeza de que o poder da palavra é fatal, e é por isso que escrevemos. Escrevo porque penso, e se penso, logo existo. Será? Precisamos assumir nossa participação enquanto sujeitos coadjuvantes na produção do saber e conseqüentemente ale
rtar aos alunos de que eles são os protagonistas desse processo. A arte nos proporciona isso, a “intimidade” entre os participantes do paradigma ensino-aprendizagem.

Segundo Luzia de Maria (1998, p. 59), o que a arte busca é justamente preservar a integridade dos homens, prover cada “ser” do alimento necessário para que se concretize nele o sentido de “humano”. E se a busca é pela humanização, mais do que justo unir arte e educação para que nosso mundo seja melhor. Pode parecer que estou tentando escrever um artigo de auto-ajuda, cheio de crenças infundadas e de utopias, mas minha intenção não é essa, é sim fazê-los acreditar que somente as pessoas envolvidas no desenvolvimento da sociedade, sejam de qual segmento faça parte (família, amigos, educadores, sociólogos, etc.),
podem mudar essa história. Enquanto continuarmos privilegiando coisas inúteis para o crescimento sócio-cultural dos alunos estaremos contribuindo para a mesmice em que se encontra o nosso mundo.

Das mesmas salas de aula que saem até hoje os políticos corruptos, os menores do tráfico, os bandidos perigosos, podem sair seres verdadeiramente humanos, comprometidos com “o outro”, que nada mais é do que nosso auto-reflexo.


Precisamos compreender a significação de um silencio, ou de um sorriso ou de uma retirada da sala, precisamos através da sensibilidade, ver através d
as atitudes e ações, oportunidades de acertos e de vidas melhores, e para isso podemos contar com a contribuição da arte. Para se trabalhar com a Arte é necessário promover um diálogo entre o expectador e a obra. Fazê-lo entender, analisar, observar, perceber, distinguir, criticar e apreender o sentido da expressão relatada pelo autor.


Thomas Cole - The dream of the Architect 1840 - 1844



Escrevo porque sinto e me permito, por ser um admirador da arte como mais do que uma simples expressão artística, como simplesmente prazer cultural, mas sim como objeto de reivindicação, como recurso de educação, de reflexão, de sentimentos guardados e escondidos de si mesmo.



Thomas Cole - The Course of the Empire - Prosperity 1835 - 1839



Seja na "arte" ou no lecionato de qualquer aspecto, "somos o que ensinamos" o que falamos e o que representamos para nossos alunos traz um impacto direto no crescimento pessoal e cultural de uma pessoa, a arte é mais um caminho simples e belo de se expressar e dar um determinado significado a palavra "existência"!

Leonardo Rodrigues