sexta-feira, junho 6

Os Sábios Ensinam - Auto-Respeito


Auto-Respeito




F
alei em um post de alguns dias atrás que eu tenho a tolerância baixa a falta de sinceridade. Do jeito que eu escrevi antes pode haver uma ambigüidade na interpretação. Vou explicar.
Todos nós sabemos que o poder de decisão sobre o futuro de um relacionamento, por menor que ele seja, cabe também a uma outra pessoa. Somos nós que perguntamos se querem ficar, ir para o motel, namorar ou mesmo casar conosco. Cabe a outra pessoa responder-nos e cabe a nós torcer para que tudo corra como nós planejamos. Não questiono isso, acho isso justíssimo e já expus aqui no blog os argumentos que sustentam a minha última afirmação. Porém, isso não dá margem para que outras pessoas façam de nós, pobres seres, gato e sapato.
Existe uma coisa pela qual eu zelo que se chama respeito. Obviamente é muito importante que você seja respeitado por outras pessoas. Uma pessoa sem o respeito alheio é como aquela fatia de banana que você coloca na vitamina: pode começar no topo, mas uma hora a espiral assassina vai puxá-la para a lâmina e então não restará nada que a identifique como fruta novamente. Mas eu considero ainda mais importante o respeito próprio, mais até que o respeito alheio. E o respeito próprio é uma coisa que nasce com o homem. É ele que, por exemplo, o faz entrar em brigas na escola contra meninos maiores que você, mesmo sabendo que existe uma probabilidade de 95% de levar uma grande surra. Recuar em uma briga dessas seria aceitável aos olhos dos outros, você provavelmente não perderia o respeito alheio. Mas nós homens tomamos atitudes como essas para nos tornarmos aptos a deitar a cabeça no travesseiro e não nos sentirmos como lixo. Eu não sou muito de brigas escolares, mas já entrei em brigas sabendo que iria apanhar e não deu outra. Mas mesmo apanhando, consegui deitar o meu olho roxo no travesseiro e sentir-me como se falasse grosso ao meu oponente: “Aqui não, comigo o buraco é mais embaixo”.
Mantive-me respeitando a mim mesmo. E ser pisoteado seguidas vezes por uma outra pessoa, por mais bonita e gente boa que ela seja, fará com que eu perca ao menos um pouquinho desse respeito que eu devoto a mim. Até onde eu sei o que rolou foi apenas um "desencontro": em um momento algo era sentido por ambos e derrepente somente eu continuava a sentir algo, não entendo o porque, mas acho que nem tudo na vida podemos entender não é mesmo? . Não existe, na verdade um dilema sobre o que fazer. Vou continuar vivendo, até mesmo porque se eu desistisse agora eu também perderia um pouco daquele velho respeito que eu devoto a mim. Mas tudo tem limite, não vou tolerar mais desencontros, se algum dia a contraparte entender o que houve e vier até mim em uma opção muito remota talvez eu ainda esteja esperando. O que não faltam por aí são doses de uísque, garrafas de vinhos e amigos onde eu possa me consolar.

Leonardo Rodrigues

segunda-feira, maio 5

Os Sábios Ensinam - AutoConhecimento

Ninguém


Ninguém é tão forte que nunca tenha chorado.
Ninguém é tão auto-suficiente para nunca ser ajudado.
Ninguém é tão fraco, que nunca tenha vencido.
Ninguém é tão inválido que nunca tenha contribuído.
Ninguém é tão sábio que nunca tenha errado.
Ninguém é tão errado que nunca tenha acertado.
Ninguém é tão corajoso que nunca teve medo.
Ninguém é tão medroso que nunca teve coragem.
Ninguém é tão alguém que nunca precisou de alguém!

Leonardo R. A.

AUTO-ESTIMA

Se um dia alguém fizer com que
se quebre a visão bonita que você tem de
si, com muita paciência e amor reconstrua-a.
Assim como o artesão recupera a
sua peça mais valiosa que caiu no chão,
sem duvidar de que aquela
é a tarefa mais importante,
você é a sua
criação mais valiosa.
Não olhe para trás.
Não olhe para os lados.
Olhe somente para dentro, para
bem dentro de você e faça
dali o seu lugar de descanso,
conforto e recomposição.
Crie este universo agradável para si.
O mundo agradecerá o seu trabalho.
"Não há noite tão longa que não encontre o dia."

Leonardo R. A.


EU APRENDI ...
... que eu não posso exigir o amor de ninguém. Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência para que a vida faça o resto; ... que não importa o quanto certas coisas são importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e jamais conseguirei convencê-las; ... que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.

EU APRENDI ...
... que posso usar meu charme por apenas 15 minutos; depois disso, preciso saber do que estou falando; ... que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida; ... que, por mais que você corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos de nosso caminho.

EU APRENDI ...
... que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência; ... que posso ir além dos limites que eu próprio me coloquei; ... que eu preciso escolher entre controlar meu pensamento ou ser controlado por ele.

EU APRENDI ...
...que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem; ... que perdoar exige muita prática; ... que há muita gente que gosta de mim, mas que não consegue expressar isso.

EU APRENDI ...
... que, nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar minha vida; ... que eu posso ficar furioso, tenho o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel; ... que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis. Será uma tragédia para o mundo se eu conseguir convencê-la disso.

EU APRENDI ...
... que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, e eu tenho que me acostumar com isso; ...que não é o bastante ser perdoado pelos outros; eu preciso me perdoar primeiro; ... que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.

EU APRENDI ...
... que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu fiz quando adulto; ... que, numa briga, eu preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver; ... que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem. E quando duas pessoas não discutem, não significa que elas se amem.

EU APRENDI ...
... que, por mais que eu queira proteger meus filhos, eles vão se machucar e eu também serei machucado, isso faz parte da vida; ... que minha existência pode mudar para sempre em poucas horas, por causa de gente que nunca vi antes; ... que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.

EU APRENDI ...

... que a palavra "amor" perde o seu sentido, quando usada sem critério; ... que certas pessoas vão embora de qualquer maneira; ... que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas que eu acredito. Se aprendêssemos algumas coisas, tudo seria mais fácil...certas coisas realmente eu já aprendi...outras...ainda não...


Durante esse feriado e os dias seguintes, pensei e pensei bastante, pensei nas prioridades que imponho a minha vida, minhas desventuras, meus desejos, minhas paixões, meus deveres, meus amores e meu "eu", creio que cheguei a algumas conclusões e outras não, sinceramente creio que algumas coisas só se resolvam com o tempo mas que com certeza não irão se resolver sozinhas...
Pensei e logo cheguei a conclusões e ainda mais dúvidas, pensei e logo desenvolvi resoluções e uma série de erros constantes, acho que deveria de fato dar tempo ao tempo, acho que essa talvez seja a base do autocontrole, se conhecer mais e saber quais são seus limites, identificar seus próprios erros, fazer por onde corrigi-los e agir com mais cautela, acredito que me conheço mas meu reflexo no espelho muitas das vezes me diz o contrário, talvez tenha aprendido muitas coisas ... mas outras ... ainda não ...

Leonardo Rodrigues

terça-feira, abril 29

Os Sábios Ensinam - Conflitos Internos


ANGÚSTIA




Por que somos reféns do sentimento?

Por que sou refém de ter sentimentos?

Seria muito mais fácil não sentir

Seria muito mais fácil ser como uma máquina

Ser programado para trabalhar e estudar

E fazê-los eficientemente

Sem se preocupar com toda essa bobagem



Queria ser frio, ser blindado a esse tipo de coisas

Queria não ter necessidade de me relacionar com nada

Meus sentimentos só me atrapalham

Me tiram dos trilhos

Me angustiam



Por que diabos sentimos carência?

Seria muito mais fácil não sentir

Por que não posso ser independente de outrem?

Por que um poema tem que ter título?

Por que ? porquê? Porque? POR QUÊ?



As coisas são mais difíceis pra mim?

Ou é “mim” que torna as coisas mais difíceis?



Se sentimento é tão necessário

Por que somos egoístas e orgulhosos?

Queria viver isolado e não precisar de nada nem ninguém,

Mas vivendo desta maneira o ser humano não seria assim,

E essas linhas, certamente,

Não seriam nem mesmo escritas.

Leonardo Rodrigues

terça-feira, abril 15

Os Sábios Ensinam - Medo! Defeito ou Virtude?


O que é o Medo?


O medo é uma interrupção súbita do processo de racionalização. A primeira coisa que nos acontece quando sentimos medo é uma interrupção súbita do processo de racionalização, perdemos a capacidade de racionalizar uma situação qualquer. Mas será que é necessário manter a racionalização quando não sabemos o que está acontecendo? Geralmente, quando acontece algo, geramos um preconceito, pensamos, muitas vezes sem saber exatamente o que está acontecendo, e geramos uma espécie de fantasia mental. Normalmente, essa fantasia traz conseqüências, muitas graves. Se estamos numa situação de perigo, acontece algo e não sabemos o que é, é melhor não pensar.

É muito claro observar em uma situação de perigo como as pessoas fazem coisas que são justamente aquelas que não deveriam ser feitas. Por quê? Porque pensam sem saber o que está acontecendo.


"Nesta imagem vemos um pobre rato tentando escapar da fúria implacável de seu predador, por ser um animal irracional e seguindo seus instintos e lógica primitiva sua primeira reação é fugir já que sabe que não será capaz de fazer nada contra a raposa, no mundo animal a siução muitas das vezes pode ser bem sistemática mas essa questão não se aplica muito bem a nós seres humanos!"

Se alguém vai de carro, entra numa curva com excesso de velocidade e pensa, a primeira coisa que vai fazer é frear. Se frear vai justamente causar a desgraça de si próprio, pois é aí que reside o perigo: brecar em uma curva estando em alta velocidade.

O medo, em princípio, tem a capacidade de evitar que façamos algo mentalmente. Ele cria uma situação de impasse e pára qualquer processo mental.

O medo como sensação é uma parada súbita de todos os processos de motivação, ou seja, além de interromper os processos de racionalização, o medo cria uma parada súbita da motivação. Quando sentimos o impacto do medo, é como se alguma coisa caísse, ficamos sem fôlego, sem motivação para fazer coisas. Esse é o segundo fenômeno que o medo produz e também, se observarmos, é uma interrupção súbita. Também quando acontecem coisas, a tendência é criar ou uma depressão traumática ou uma euforia. Há pessoas que ante situações comuns reagem com euforia, há outras que se entregam totalmente; são processos relacionados com a motivação do indivíduo e em qualquer situação de risco ou de perigo, tanto a euforia quanto a depressão traumática são negativas.

O que causa problema em situações de risco ou de perigo é a temeridade ou a entrega. É curioso observar como, quando as pessoas estão inconscientes do medo, querem fugir dele e acabam fazendo exatamente o contrário do que deveriam fazer.

Essas atitudes destoam completamente do chamado “instinto de sobrevivência”, e isso não é pelo medo, e sim porque as pessoas querem fugir dele. O desejo que temos quando acontece um fenômeno desse tipo é que alguém nos pegue no colo e que não sintamos mais nada. Nessas situações, as pessoas querem fugir e, por isso, acabam fazendo tolices.

Em contrapartida, as pessoas que assumem o medo, mas o assumem conscientemente, acabam fazendo as coisas certas. As maiores causas de acidentes e de mortes é o comportamento que temos perante o medo, e não ele em si.

O terceiro ponto dessa relação é a definição do que é o medo: o medo-percepção + medo-sensação são uma inibição-bloqueio de todas as funções fisiológicas, ou seja, quando o medo surge, ele pára os processos de racionalização, pára os processos de motivação, os processos fisiológicos e nós ficamos sem condições de fazer nada por um instante, nem pensar, nem sentir, nem agir.

Agora eu pergunto: se estamos caminhando de noite por um caminho e, de repente, o caminho termina abruptamente, existe uma depressão de 50 metros e, sem sabermos, vamos chegando ao precipício e sentimos medo, o que fazer? Parar. O medo paralisa, inibe. Então a primeira coisa que vamos fazer é nos determos antes de cair no precipício. Esse é o medo, nem mais nem menos. Em princípio isso é bom, essa parada súbita é boa porque no fundo o que está acontecendo é um sinal de que há um risco e até não sabermos o que é isso, é melhor ficarmos quietos.

Desse ponto de vista, o medo é uma força que tem como objetivo evitar perigos de qualquer natureza e funciona como um sinal que interrompe qualquer ação imprudente. Em termos concretos e objetivos, o medo é isso e não tem nada a ver com as reações acontecidas ante ele, que, no nosso caso, por razões culturais, não são naturais.

Nossa cultura não só não nos preparou para enfrentar o medo, mas também nos ensinou a ter medo dele, e, por isso, reagimos mal. Por um processo cultural diferente, nós encararíamos o medo de uma forma diferente e teríamos reações naturais. Essas reações naturais trabalham a favor do instinto de sobrevivência, tanto do corpo quanto da mente, como também da psiquê humana. Por exemplo, se eu estou encostado na parede e alguém grita na minha frente, por medo eu vou dar com a cabeça contra a parede. Foi o medo que gerou isso ou a minha reação anti-natural? Quando alguém grita e eu faço isso, essa não foi uma reação natural; foi a reação anti-natural, por quê? Há reações instantâneas que chamamos de reflexos condicionados e consideramos que são naturais. Mas vejam bem que a palavra diz: reflexo condicionado, ou seja, se foi condicionado, não é natural. O natural ante o medo e o próprio corpo é ter nossas reações independentemente dos nossos preconceitos, é observar a situação detidamente para saber o que está acontecendo, e não querer fugir dela. Isso não é natural, mas é uma reação prevista em nossa cultura.

Os reflexos naturais e próprios do corpo são completamente diferentes, eles não nos fazem fugir ante as situações de risco, eles nos levam à adaptação. Vejamos a diferença entre o reflexo condicionado e o reflexo descondicionado: o reflexo condicionado é: se A aplica uma força x, B tem que aplicar uma força y. Quando quebramos esse reflexo, a situação muda: A passa a fazer mais força do que antes, pois B está relaxado. Isso é o reflexo natural do corpo.

Nós estamos mal acostumados. Nós fomos educados numa cultura que não nos ensina a lidar com o medo, e sim a temê-lo, mas isso tem um objetivo. Por exemplo, quando a criança não quer comer e a mãe diz: “se você não comer, o bicho-papão vai te pegar”. Quando a criança entra nesse condicionamento, come até qualquer coisa, contanto que o bicho-papão não lhe apareça. E o que é isso? Isso é manipulação. Então, o medo é utilizado como elemento de manipulação para subjugar, escravizar e dominar as pessoas. Mas não é porque o medo seja isso, e sim porque pessoas exploram pessoas e têm utilizado o medo como mecanismo para isso. O fato é que nós acabamos tendo “medo do medo” e, então, para não sentirmos medo, pagamos qualquer preço. Esse é o ponto mais complexo em relação ao medo. Dessa forma, o medo não é ruim, ruim é a reação que geramos ante ele, porque não temos sido educados de forma correta para encará-lo.

Percepções

Segundo o dicionário Aurélio, medo é um "sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário, de uma ameaça". Bem descrito, mas essa definição não fornece pistas sobre o que fazer com o medo. Vamos ver algumas percepções mais práticas.

Antes de mais nada, o que faz com que uma pessoa consiga sentir medo? Suponha que você está aí tranqüilo ou tranqüila, olha para o lado e vê um leão olhando para você cheio de dentes e babando. Você sentirá medo, certo? Mas medo de quê? Certamente de ser devorado e de morrer, uma projeção de futuro, próximo, mas futuro, já que ainda não aconteceu. Agora considere uma pessoa que tenha medo de altura; em certas situações, ela sente medo de cair. No meu caso, quando comecei a dar aulas, em geral sentia aquela inquietação definida pelo Aurélio, enquanto estava caminhando para a sala. Certamente ficava pensando em várias coisas que poderiam dar errado! Mas creio que senti mais medo quando estava descalço diante de quatro metros de brasas, sobre as quais deveria caminhar!

Em todos os casos, trata-se de projeções de acontecimentos futuros. Isto é, a pessoa está imaginando algo que pode acontecer, como morrer, queimar-se e todas aquelas coisas que não queremos que aconteça.


"A timidez em alto nível ou em sua simples concepção também é um exemplo de medo, a pessoa imagina somente as coisas que podem dar errado em uma aboradagem a outra pessoa ou se o que for dito pode ser mal interpretado ou até mesmo não entendido o que gera um tipo de bloqueio."



Como pode o medo ser um aliado para o sucesso? Para entender isto, vamos lembrar que somos movidos às direções que temos instaladas na nossa mente. Quer você se mexa para beber água ou ir a um restaurante, tem uma direção ou objetivo: saciar a sede no primeiro caso, alimentar-se e sentir prazer no segundo.

Mas não temos só objetivos, podemos ter também o que chamo de direções negativas: não matar seres humanos, não puxar o rabo do cachorro, não desligar o computador sem desligar o Windows, não pular de mais de dois metros de altura. Esse tipo de direção é também importante para nos guiarmos pela vida e, mais relevante, todos temos a capacidade de lidar mentalmente com esse tipo de estrutura.

Vez por outra, acontece de estarmos em uma situação com elementos novos, que precisam ser avaliados. Por exemplo, se estou em um primeiro passeio de ultraleve, posso não confiar muito na engenhoca, e penso: e se isto cair? Caindo ela, eu caio junto. E o que faço então? Se estou começando a dar aulas, há efetivamente alguma possibilidade de que eu esqueça algo, ou que não faça da melhor maneira, afinal é a primeira vez.

Outro exemplo: se vou trocar a lâmpada da geladeira e não consigo tirá-la, posso pensar em usar um alicate. Mas minha projeção indica a possibilidade de quebrar a lâmpada e os cacos se espalharem pela geladeira, e então posso ficar com "medo de usar o alicate".

Portanto, pensar em coisas indesejadas faz parte do processo normal da avaliação que fazemos do ambiente, em particular quando é novo ou tem elementos novos. As direções negativas nos indicam o que não deve ser feito, o que não conduz aos objetivos ou conduz a conseqüências e efeitos colaterais indesejados. São como um sinal de trânsito que diz "Não vá por aqui".

O medo então é nosso aliado, no sentido de que nos informa de que existe a possibilidade de que pode ser melhor não fazer fazer algo. Imagine alguém sem medo, o que pode fazer!

O medo será um problema apenas quando:

- Ficarmos prestando atenção ao que não queremos que aconteça e apenas reagindo a isto, ou seja, paralisados e sem opção de ação. - A nossa projeção de conseqüências estiver distorcida da realidade. Esse é o caso de ficar com medo de um avião a jato cair se perder uma das turbinas, já que ele consegue voar sem ela.

O piloto Marcos Pontes, futuro astronauta brasileiro na NASA, perguntado sobre se sentia medo ao voar, disse que não era bem uma questão de medo, e sim de prever os riscos possíveis e ter alternativas para lidar com cada um. Esta atitude, no contexto empresarial, é chamada Gerenciamento de Riscos: identificam-se os riscos e, para os principais, estabelece-se medidas para prevenção e para correção. Imagine se os construtores do túnel ferroviário sob o Canal da Mancha não tivessem feito gerenciamento de riscos; não teriam certamente construído o segundo túnel, só para socorro (e que já foi usado). Este é o próprio "poder do pensamento negativo"!

Portanto, o medo por si só não constitui um problema. Ele pode ser uma indicação de que temos que nos preparar melhor para fazer algo. Ele pode ser uma indicação de que devemos buscar outra alternativa. Principalmente, o medo é uma força, tem energia, e nós podemos usar essa energia como impulso para algo que queiramos. Usando uma estratégia adequada, podemos fazer como no judô: se vamos usar a energia do adversário, quanto mais energia ele tiver, melhor para nós!

Canalizando a energia do medo
Uma vez tendo boas percepções a respeito do medo, precisamos aplicá-las, colocá-las em prática. Uma estratégia estruturada que pode ser usada para aproveitar o impulso e a energia do medo é:

1) Conscientização - tudo começa quando você detecta algo que pode ser bem descrito pela palavra "medo". Você sabe que é um processo da mente (eventualmente com reflexos no corpo), que é mais específico: medo de que alguma coisa aconteça. Ele está em andamento e você se prepara para uma auto-intervenção.

Tenha em mente que muito do que sentimos é originado em coisas que pensamos mas não notamos, isto é, estão inconscientes - reagimos e tomamos decisões influenciados por algo que não sabemos que está lá. A conscientização é o primeiro passo para ter mais opções de lidar com a situação.

Quanto mais rico o "mapa" que você tiver sobre o que está sentindo, mais opções terá. Para isso, tire a atenção dos sintomas corporais e direcione-a para imagens e sons internos, diretamente ou por meio de perguntas: medo de quê? O que pode acontecer de potencialmente ruim? O que estou imaginando? Quais são possíveis decorrências desagradáveis da situação atual? Também pode ser usada como apoio para obter informações a metáfora da "câmera mental". Faça de conta que tem uma e descubra como ela pode ajudar.

2) Interpretação - Neste momento uma avaliação deve ser feita: o medo é um alerta? Procede? A avaliação dirá se é o momento de agir, e em caso positivo, o que é melhor de se fazer. Se o medo for julgado como não procedente, como por exemplo medo de cair do alto de um prédio protegido, você tem a opção de simplesmente ignorá-lo, deixá-lo de lado. No caso dos medos que causam sensações no corpo, como o de altura, uma opção que pode ser usada é a observação das sensações: localização, intensidade, qualidade. Caso você decida canalizar a energia, vai para o próximo passo.

3) Escolha do contexto alvo da energia - Aqui você define para onde quer canalizar o impulso do medo. Deve ser um comportamento executável por você. Por exemplo, se está fazendo um relatório e sente receio ou medo de que seja malvisto, pode imaginar-se relendo o relatório procurando por correções ou possibilidades de melhoria. Outra boa opção é se imaginar como se fosse o chefe lendo o relatório, com seus olhos e seus julgamentos. Veja mais idéias abaixo.

4) Transferência da energia - Neste ponto você tem dois cenários internos, um do medo e outro do objetivo. Para transferir a energia do primeiro para o segundo, você tem várias opções. Como isto é muito pessoal e para cada um pode ser diferente, você deve descobrir o que funciona melhor para você. Seguem algumas sugestões:

- Diminuir a luminosidade de um e aumentar a do outro. - Visualizar a energia saindo de uma imagem e indo para a outra. - Dissociar-se ("sair do filme") de um e associar-se ao outro.
- Fazer um morphing das imagens :(Transformação de uma imagem em outra) Essa eu gosto muito, tem um efeito muito poderoso em mim. Você pode treinar-se em morphings mentais assistindo a vários deles, "ensinando" seu cérebro como é que ele deve fazer.

Se quiser repetir para certificar-se do sucesso, evite fazer o inverso - abra os olhos e recomece.

5) Estabilização - Solte o corpo, e fique quieto por um minuto, permitindo que a mudança se estabilize. Aproveite para usufruir do prazer desse momento de descanso e também do possível prazer que possa estar sentindo pela sua atitude e iniciativa.

Aplicações

Algumas sugestões para aplicação da estratégia descrita:

- Medo do escuro: ações de certificação da existência de perigos, como acender a luz e explorar o local, ou ações de proteção.

- Medo após um filme de terror: ações de observação de imagens internas e de controle delas, como alterar a cor e tamanho.

- Medo de perder o emprego: ações de revisão de produtos, de maior atenção aos objetivos e prioridades, ações de melhoria de relacionamento, ações de aquisição de conhecimento e novas habilidades.

- Medo de dor física: se evitável, descobrir ações que poderiam prevenir a dor; se inevitável (como talvez uma injeção), a saída pode ser estimular uma atitude de extensão dos próprios limites (dores superadas fortalecem), sentir apenas a dor do momento (e não a dor subjetiva resultante da antecipação da dor) ou ainda fortalecer a percepção do momento presente, prestando atenção às sensações físicas do agora (por exemplo, "dor na cabeça" é presente, "dor de cabeça" faz menção à experiências passadas e pode ser pior).

Medo intenso pode causar paralisia ou ter associadas a ele reações condicionadas e sem escolha. Conheci uma pessoa que, dirigindo em situações críticas de trânsito, se alguém gritasse ela pisava no freio, o que pode ser um perigo, como no caso em que estávamos vendo uma carreta a poucos metros em rota de colisão! Para estes casos, pode ser necessário "semear e colher": agir como se estivesse na situação e programar as escolhas previamente, ensaiando mesmo. Esta opção pode ser usada para lidar com qualquer medo antes que ele ocorra; basta imaginar-se na situação.

Base de Conclusões

Temos, então, a primeira conclusão do que é o medo. O medo é uma força natural, não é o meu ou o seu medo, é o medo. O medo existe de forma independente das pessoas, ou seja, há algo em nós e também fora de nós que se chama medo, e que tem uma função na natureza como poderia ter o Sol, a Lua, a Água, a Terra ou qualquer elemento. O medo faz parte da natureza e tem como função proteger, por incrível que possa parecer.

Várias dessas alternativas na verdade são meios que facilitam o início de um trabalho consciente. Posteriormente, quando você já tiver lidado com alguns casos, estes vão gerar um nível mais profundo de habilitação, envolvendo a crença e o domínio da estratégia e de suas variações, o que resultará cada vez mais agilidade, eficácia e naturalidade.

Caso você queira saber, no caso das brasas eu respeitei meu medo e não passei. Já com a estratégia descrita acima, começo a ficar tentado a repetir a experiência... E você? Você tem medo de que? Lembre-se sempre que os medos estão em nossas vidas para serem enfrentados, não podemos deixar que nos controlem, por mais que seja difícil devemos encontrar coragem para realizar nossas tarefas e nossos desejos!

E de agora em diante, fique atento aos seus medos, agradeça a eles e aproveite-os da melhor maneira possível: eles estão aumentando suas chances de sucesso!